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22.9.08

ausência II

Eu te procuro nos detalhes que agora tenho tempo de perceber

Antes, eu era escrava daquela roda negra que ascende

Hora acompanhada,

Hora sozinha

Eu já nem quero saber os rumores

Da alma esquecida, caída, calada

Que nem canto, nem voz, nem nada

Vinga

A vida é vingança de uma alma torpe que insiste em praguejar

Quando em si, enterradas, todas as almas deveriam estar

É vida ingrata essa a que me dedico e que me parece não ouvir,

Leviana!

Essa vida triste de seguir só sem te ver sorrir...

17.7.08

Mundo, páre que eu quero descer.

Ás vezes angústia é o jeito que a alma acha de lembrar-nos que estamos vivos. Há pressão por todos os lados, de fora pra dentro, do fundo do sempre para fora. Há quem diga que se conheça. E comemora.

No fundo do poço, bem ao lado de tanta gente que chora, que toca, exala, de gente chata que fala de gente de gente de gente...gente que sofre por ser uma idéia que deu errado.

Entrego meus pertences, os poucos que ali chegaram, junto aos fiapos do meu manto que já foi. Desnudo caminhos, debato em mil prantos meu destino comigo mesma, dou três voltas em volta da mesa onde os cabeçudos resistentes e amantes da tristeza se reunem toda noite, a esperar pelos forasteiros insanos que voltam a submergir.

Coloco ordem em tudo sem proferir uma só palavra.

(continua)

13.7.08