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4.4.07


Ferida

Quando desejamos a mais afiada das espadas
devemos contar, por que não?, que
em corte
Também ela ferirá
mais do que todas,
profundamente...

3.4.07

saudade

Mora em minha ansiedade essa melancolia cálida
da imagem das coisas sem você por perto

O universo da sala, da porta, da mesa
Esse universo
sem você agora

sufoca -me aos ouvidos, narinas
Quer me matar esse universo que antes
abrigava o desejo em forma de fantasia
dos nossos fôlegos!


Sem você
é inevitável que esse universo morra em mim.

Depois que se come dez mil horas a fio
sem culpa
esperando alguém voltar

Não se pode enteder, lindo, como pode
nosso tempo, em contrário,
tão rápido, insistir em passar
outrora?Bendita noite!...

Duro destino feliz este
o meu
De caminhar por esta vida,insípida,
Vertendo as palavras em versos pobres como estes
Esboços pretenciosos da tua indizível beleza.



.saudade.





29.3.07

esquinas

Hoje pude sozinha desviar das
centenas de dezenas de pessoas
que insistiam em vir no seu lugar quando
eu dobrava cada esquina

Vesti-me com roupa qualquer
fantasiei-me de algo que brilhasse,
enganasse cada gente que passasse
que eu valera algo
Como se, de minh´álma,
brotasse alguma coisa em vida
sem a tua companhia...

Hoje eu me calei.

Fumei dois cigarros acesos um no outro
Lembrei daquela conta que tinha de pagar
lembrei daquela noite, madrugada infinita...

Eu era tua garotinha.


Dobrei a última esquina e
triste,
voltei para casa.